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É notória a consciência de que vivemos, hoje, em um novo espaço urbano, que é regido pelo tempo real, imediato do mundo globalizado. A cidade vem se transformando, sucessivamente, na velocidade das trocas informacionais planetárias, desde as necrópolis antigas, passando pelas cidades muradas medievais, as cidades industriais e do automóvel do século XX, chegando agora à cidade de bits.
Na atualidade, temos à nossa disposição uma nova rede técnica (o ciberespaço) e uma nova rede social (as diversas formas de sociabilidade online), que configura as cibercidades contemporâneas. A cidade muda ao ritmo das mudanças técnicas e sociais. Exemplo disso são os pages, palms, home banking, votação eletrônica, imposto de renda online, governo eletrônico, telecentros e as diversas redes de satélites, fibra-ótica, telefonia fixa e móvel. O ciberespaço nos faz emissores de informação e nos coloca em pleno nomadismo high-tech. A cibercidade é, portanto, a cidade da cibercultura. Ou seja, a cidade em que a infraestrutura de telecomunicações e tecnologias digitais já é uma realidade.
Mas, ao contrário do que esse conceito nos induz a pensar, essa relação das cidades com redes técnicas e sociais não é um fato novo e o conceito de cibercidade não deve ser compreendido como uma novidade radical. Toda forma urbana sempre se configurou a partir das mais diversas redes técnicas e sociais - vide água, auto-estradas, ferrovias, aeroportos, telégrafo, telefone, tv, esgoto, correios, eletricidade e tantos outras. O objetivo da mudança não é destruir as velhas formas urbanas, mas sim criar formas efetivas de comunicação e de reapropriação do espaço físico, reaquecendo o espaço público e favorecendo a apropriação social das novas tecnologias de comunicação e informação, além de fortalecer a democracia contemporânea. Por enquanto, faltam exemplos concretos que demonstrem a viabilidade desses projetos. As cibercidades devem aproveitar este potencial para criar formas de relação direta entre um espaço e outro.
Há que se pensar em formas complexas e integradas para a implementação de projetos de cibercidade. A urgência do tema nos coloca em meio à necessidade de criação de um modelo de análise, que visa valorizar os quatro capitais principais (social, intelectual, cultural e técnico) de uma determinada localidade, através da proposição de uma ciência da inteligência coletiva a partir dos trabalhos de Pierre Lévy. Dessa maneira, os projetos de cibercidades devem ser compreendidos em sua totalidade para que possam ser identificados em potenciais de ação. Primeiramente, identificando esses capitais em locu e, posteriormente, implantando projetos que visam dinamizar os capitais.
Em síntese podemos dizer que, a partir desse modelo, é possível construir processos de inteligência coletiva utilizando o potencial das novas tecnologias de comunicação. Assim, evita-se a introdução de tecnologias sem peso social e cultural. Pensar as cidades e as novas tecnologias de telecomunicações exige esforços complexos que o modelo em questão pretende ajudar. De acordo com este estudo, não se trata de uma utopia, mas sim de uma potência.
parabens! se adiantaram!
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